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segunda-feira, 4 de março de 2013

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Há dias em que não sei o que fazer comigo própria...
Tenho umas saudades tuas que nem imaginas. Esta ansia pelo toque da tua pele, pelo teu cheiro. O sabor dos teus labios.Arrasa-me!
Sinto-me completamente devastada por este querer.
E continua a não ser justo!
Só consigo pensar no som da tua voz.
Em sentir os teus braços à minha volta. Sentir as tuas mãos pelo meu corpo.
Sei que não devia, mas também sei que não o consigo controlar.
Queria muito controlar-me a serio que queria. Mas não consigo...
Não sei como é que chegamos até aqui. Ou como é que eu própria me deixei envolver nisto. Onde é que ando com a cabeça. Costumo ser tão responsável...
Mas só consigo pensar no que faríamos se estivéssemos juntos.
Consigo imaginar exactamente cada gesto, cada pormenor, cada expressão dos nossos rostos.
Os olhos muito escuros de desejo.
O toque dos nossos lábios. Os nossos beijos.
As tuas mãos à volta da minha cintura, mas minhas costas. No meu peito.
As minhas próprias mãos que te percorrem.
Quase que consigo sentir, como se fosse real, o calor que as tuas mãos libertam.
Os teus beijos no meus pescoço.
As tuas mãos no meu cabelo.
Preciso tanto de te tocar. Que me toques a mim. Preciso saber que isto é real. Que a distância que nos separa não é importante. Preciso saber que isto não é só uma coisa da minha cabeça. E que tu próprio me queres.
E não, não é nada justo.
Ao mesmo tempo que te quero, tento afastar-me disto tudo, mas é tão difícil  Acabo por não conseguir perceber se é mais insuportável continuar a querer-te ou afastar-me de uma vez por todas.
O que é que vou fazer?
A serio já não sei, mesmo, o que fazer...
Como é que se volta atrás?
Fecho os olhos e só te vejo a ti. Só te sinto a ti.Já nem consigo dormir.
o que é que mudou na minha cabeça, e principalmente porque é que mudou?
Já não me reconheço.
Hoje vou tentar resistir. Vou tentar passar por cima do desejo insuportável de ouvir a tua voz e pela necessidade de falar contigo de que forma for.
Hoje é provável que não ouças falar de mim.
Esta manhã foi provavelmente a ultima vez que soubeste de mim.
Pelo menos eu preciso de pensar que vou conseguir deixar isto para trás. Se hoje não conseguir, amanhã vou voltar a tentar.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

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Desligamos. Contorci-me no sofá para me levantar mas não fui capaz. A energia que me percorria era electrizante.
Imaginar que a minha respiração, os meus gemidos... te excitavam provocava-me arrepiados, e continuava a querer mais e mais.
Ainda deitada no sofá percorri o corpo com as mãos, estava tão sensível que o mais pequeno toque me provocava pequenos choques.
O calor que o meu corpo libertava.
O quanto estremecia.
Imaginar-te do outro lado precisamente nas mesmas condições.
Toquei os seios, os mamilos muito hirtos, imaginei que eras tu quem os tocava. Que os agarravas com força e punhas na boca, passando a língua em torno dos mamilos, dando suaves mordidelas...
As minhas mãos passaram para a barriga, e de seguida para as pernas, aqueles toques tão naturais, tão leves provocavam ondas de prazer completamente inexplicáveis. Passei as unhas pela pele, talvez um pouco de dor fosse suficiente para acalmar o corpo.
Mas não, só me fez arder ainda mais.
Entreabri as pernas e procurei o sexo. Ainda inchado dos momentos anteriores. Húmido. Muito quente.
O simples tocar obrigava-me a arquear as costas. A minha respiração acelerou.
Aquilo ia ser muito rápido.
Penetrei-me com um dedo e depois outro. E continuei a imaginar-te. A tua língua, os teus próprios dedos a entrarem dentro do mim.
Será que ainda ardias tanto quanto eu? Provavelmente já não!
Mas ainda assim continuei.
Os meus dedos a entrarem e a saírem, os movimentos circulares, tudo junto elevou-me a um estado de prazer completamente toldante. Se se passasse alguma coisa á minha volta não teria conseguido percepciona-la.
Só te conseguia imaginar dentro de mim, o teu membro duro, completamente engorgitado a entrar e a sair violentamente. Que tesão. Queria tanto.
O meu corpo cada vez mais escaldante, a respiração elevada a um ritmo frenético, os pequenos gemidos aqui e ali, anunciavam que o êxtase estaria bem próximo.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

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Somos feitos de idiossincrasias, de pequenos nadas, de quereres, de emoções e pragmatismos.
Uma massa, um material completamente vulnerável que à mais pequena coisa deixa de existir ou funcionar em plenas condições.
De cérebros efusivos, corações palpitantes.
De moléculas e pequenos átomos que se transformam a cada nano-segundo.
Somos orgulhosos, temerários, bravos guerreiros.
Apaixonados.
Sentimentalistas.
Maus ou bons.
Somos o que somos.
Há quem nos goste, há quem nos odeie. Há quem nos ame!
Somos carinhosos, sensíveis, emocionais.
Vibramos com grandes coisas.
Apaixonamo-nos pelas mais pequenas.
Adoramos o toque, os gestos, as palavras e os números.
Sorrimos com um olhar, com um gesto, um piscar de olho.
Uma palavras dita com carinho.
Respeitamo-nos.
Sabemos reconhecer os mais forte, ajudamos os mais fracos.
O sangue corre-nos nas veias, umas mais quentes, outros mais frios.

Incomodamo-nos com palavras, com as mais ridículas das coisas. Que julgamos não serem próprias ou as mais adequadas em determinado contexto.
Explodimos em loucuras furiosas por nada e coisa nenhuma.
Mas no fundo somos um resto de nada.
Um pequenino pontinho num enorme universo.
Voláteis.
Acima de tudo muito voláteis.
O que é hoje, amanhã já não é e no dia seguinte volta a sê-lo.
Vivemos despreocupados, desprendidos, muito felizes uns. Sobrevivemos outros.
Á partida tudo nos une, mas é precisamente o que nos une que nos separa!


Há dias assim, em que pensamos que tudo aquilo que acreditávamos ser, cai aos nosso pés, e por uma coisa tão ridícula.
A imagem que tínhamos construído de nós próprios é abalada.
E custa comó raio!
Porque damos demasiada importância a coisas pouco importantes. Que não deviam incomodar em circunstâncias normais, mas que noutras...
E depois alguém nós faz parar. Ouvir!
Deixa de ser tão relevante o que antes nos incomodava.
E fica só assim, uma moinha, um orgulho meio ferido, mas que há-de recuperar tão depressa como se não tivesse sido absolutamente nada.
Olhamos outra vez em frente. E bem à nossa volta! Porque é a nossa volta que estão as coisas mais incríveis e inesperadas.
Que no fundo parecem tão ridiculamente invisíveis num segundo e no outro fazem-nos um bem desgraçado!

Ontem foi assim! Um dia complicado, em que achei, por momentos, que a perspectiva que tinha de mim própria não se coadunava com a realidade! Mas as circunstancias mostraram-me precisamente o contrario!E ainda bem!
Portanto OBRIGADA a quem me "ouviu" e me aturou! A quem percebeu que eu estava mesmo a precisar de um "par de chapadas" e acordar para a realidade! Ou de um bocadinho de atenção...
Porque afinal nem devia ser preciso nada disto, tendo em conta a pequeneza da situação! Mas ainda assim...e foi muito importante ter ali alguém naquele momento!

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

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À luz de uma nova calma analiso o que escrevi nos últimos dias.
Nunca antes tinha escrito nada do género. Nem com tal intensidade.
Leio e releio. Embriago-me com cada palavra. Que tinham tanto sentido ontem e no dia anterior. O sentido continua a ser o mesmo hoje, mas a situação não deixa de ser ridícula. Quase surreal.
Só agora consigo ver com a clareza necessária isso mesmo.
A luta interna do narrador da historia, era no fundo a minha própria luta contra aquilo que de repente se formou, e que eu não esperava nem sequer queria.
Mas é mesmo assim. As coisas precipitam-se. Os sentimentos exalam-se.
Tentei exorcizá-los (aos sentimentos). Às emoções que me estavam a percorrer. E que no fundo ainda me percorrem.
Resultou, de certa forma pelo menos.
Voltou uma certa paz de espírito que não estava a conseguir encontrar.
O problema é ainda não ter voltado a pensar no que pensava antes com o mesmo calor. E que era tão mais real e autentico.
De repente tudo se baralhou na minha mente. E isso assusta-me de sobremaneira.
Por um lado foi bom, escrevi como nunca tinha escrito. (quase que consigo dizer, que está "bem jeitoso", eu que nunca tenho uma palavra de apreço para mim própria).
Por outro é torturante, porque efectivamente não queria, mesmo nada, nada, nada, isto. Estava perfeitamente contente com as minhas obsessões e devaneios.
Não preciso nem precisava de novos, muito menos se forem imaginários  Irreais. Imaturos. Infundados. Pouso substanciais.
Não precisava deste novo querer, mesmo!
Mas como há coisas que não se controlam, de resto como dizia anteriormente, vou ter que aprender a viver com isto.
Já pensei fugir disto. Mas isso implicaria deixar de fazer uma serie de coisas que me dão verdadeiro prazer. E eu sempre prometi a mim própria que não deixaria de fazer o que gosto por influencia de terceiros.
É tentador fugir, muito tentador mesmo. Mas se fugir, o que é que isso faz de mim? Só mais alguém que não tem a coragem suficiente para enfrentar a realidade e os obstáculos.
Logo eu que me considero tão bem resolvida nestes aspectos.

Mas esse pensamento continua a invadir-me a cada instante. Desistir. Apenas e só isso mesmo. Fazer de mim a mais patética das pessoas, em vez de enfrentar a realidade.
É que isto é tão ridículo e pequenino. Mas ainda é mais ridículo achar que vou deixar de te querer se fugir. Principalmente quando tenho a prova, mais que provada que isso simplesmente não acontece assim.
De maneiras que vou persistindo na tentativa de ultrapassar isto tudo, rápido  bem rápido  Esquecer de vez este querer, voltar ao quotidiano, reestabelecer a ordem.

(não sei se vai continuar, se vou voltar a escrever como nos últimos três dias, às vezes apetece-me, outras irrita-me, outras simplesmente é indiferente)

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

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Tudo repetido até ao infinito.
Quando parecia que estávamos prestes a conseguir manter uma certa distancia, voltávamos ao inicio e outra vez para o corpo um do outro.
Era ali que nos encontrávamos. Aquilo era tão errado, mas no fundo parecia tão certo! Tão natural.
Não faltava mais nada.
Apesar disso não era paixão, não era um querer com amor. Era uma carnalidade obsessiva. Só e apenas isso.
Não parece fazer sentido, pois não?
Mas aquelas horas, passadas ali, eram isso mesmo. Apenas um encontro de corpos, o magnetismo das massas arremessadas uma contra a outra, numa loucura fatal.
Um egoísmo tedioso, contra aqueles que nos esperavam lá fora. Fora daquele quarto.
Nalgum momento havíamos de sair dali.
Enfrentar as consequências.
Era por isso que era absurdo dizeres-me que não era ela, mas eu. Como é que não conseguias ver isso?
Se calhar também eu devia ser mais compreensiva, afinal de contas não passavas de um miúdo, sem maturidade, ou sentido de responbilidade. O sentido pratico das coisas não te era inerente.
E tentei explicar-te que apesar de tudo o resto, tínhamos que parar aquilo. Mas zanguei-te. Gritaste-me que não eras demasiadamente novo.Nem irresponsável.
Eu é que não percebia, ou não queria ver que nós éramos muito mais do que simplesmente aquilo que eu quis ver.
Que eu era uma criança mimada por estar a rejeitar-nos a arranjar desculpas para fugir de nós.
De repente tudo deixou de fazer sentido, o fugir contigo em primeiro lugar, os beijos, o sexo, as discussões, as tentativas de me afastar do teu corpo. O simples contar desta história deixa de fazer sentido neste ponto. Porque às tantas já não se sabe se isto é realidade, se pura ficção, se efectivamente te queria aqui, se queria ser eu e não ela.
Se a tentativa de fugir a cada instante é a coisa certa. Se não devia enfrentar a realidade e encarar que te quero. Mas que não és real ou alcançável.
Este quarto é a verdadeira personificação do limbo. Se ele (o limbo) existe tem que ser isto mesmo. Nós os dois numa esfera de prazer, que se repete ao infinito durante um tempo que não parece ser real mas que nos fundo o é. Porque o teu toque, o teu sabor nos meus lábios é demasiado intenso e verdadeiro para isto ser apenas uma ilusão.
Porque efectivamente estás aqui, e ouço a tua voz. E serpenteio de novo para o teu corpo, porque a atracção é demasiado forte para conseguir resistir.
E porque tu não me deixas sair deste quarto. Do teu quarto.
E eu não sinto saudades do meu. Não sinto saudades dos que estão lá fora.
Tens razão...eu quero muito, talvez demais, estar aqui contigo. No teu quarto.
Quero sentir-te sobre mim, novamente até à exaustão, as explosões a cada climax.
A cada orgasmo.
A cada espasmo dos nossos corpos.

(é provável que continue...)

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A fusão dos corpos.
O sentir-te dentro de mim.
O desvario.
A dimensão de tudo aquilo ultrapassava-nos.
Queríamos mais, sempre mais.
E voltávamos a latejar, juntos, uma e outra vez.
A tua voz inundava-me os sentidos. Aquela voz que eu conhecia tão bem.
Os nossos telemóveis tocavam com uma urgência desmedida, mas nenhum de nós se importou, não quisemos saber de quem nos procurava. Naquele momento só quisemos saber de estar ali, e continuar a provar-nos, a tocar-nos a sentir-nos.
Devíamos ter sido mais responsáveis, mais conscientes. Devíamos saber que o mundo lá fora nos ia esmagar assim que a porta daquele quarto se fechasse atrás de nós.
Não devia ter respondido ás tuas provocações, mas tinha sido bem mais forte do que eu.
Onde é que estávamos com a cabeça nos momentos que antecederam aquilo tudo, nos meses de trocas de argumentos?
Nas palavras lançadas para o ar que à primeira vista não passavam de uma brincadeira, mas que no fundo queriam dizer tanto.
E mesmo assim não havia uma réstia de arrependimento perante toda aquela loucura. Só o querer mais e mais.
E repetimo-nos durante horas infinitas.
Acho que podíamos ter ficado assim para sempre, até sermos um resto de nada.
A obsessão compulsiva, doentia, um pelo outro, desmedida.
Nunca nenhum de nós tinha sentido tal desejo, não era estranho, éramos tão novos, os dois. O que só tornava tudo mais doentio.
Não era suposto existir nada deste género. Tão inebriante, toldante.
Perguntei-te o que se estava a passar connosco, mas não me conseguiste responder.
Perguntei-te porque não nos largávamos e íamos às nossas vidas ridículas. E mais uma vez não houve resposta da tua parte.
Nem os teus olhos te denunciaram, aqueles olhos que queimavam.
Ardi por dentro com uma raiva de tudo aquilo... de ter sido tão estúpida, tão ignóbil. Desde quanto é que deixava que o desejo me vencesse?
Levantei-me da cama, para me vestir, correr dali para fora. Por momentos não me impediste, acho que não acreditas-te que realmente me fosse.
Só quando me viste entreabrir a porta, me impediste de sair.
Mas eu precisava de ter ido.
Gritei te que me deixasses ir. Mas nem pestanejas-te. Por momentos acreditei que a minha boca não produziu qualquer som.
Sentir as tuas mãos percorrer-me o corpo, novamente, desarmou-me, como é que ia conseguir sair daquele labirinto viciante? Só o simples toque teu, era suficiente para me derrear.
Disseste-me que íamos conseguir resolver as coisas lá fora, ficar juntos. Mas eu sabia que era mentira, uma obsessão tão forte não podia resistir ao mundo.
Nem sequer devia ser permitido.
Disseste que não nos íamos largar mais, que ias onde fosse preciso para ficar comigo. Mas para que? Não fazia sentido.
Nada daquilo tinha qualquer sentido.
Tu prometeste que nunca farias nada daquilo.
E quem te esperava lá fora? Não te importavas com ela?
Não quero saber de mais nada...disseste.
Mas quero eu bolas. Eu não queria ter sido responsável por te destruir daquela forma. Nem por me destruir a mim.
Que hipocrisia era aquela? Que não, que era ela, que era só ela. E afinal não era ela, era eu.
Mas não quero ser eu, queria ser adulta e responsável para acabar com aquilo.
Enfureci-me cada vez mais e mais por não o conseguir.
Por querer demais sentir-te de novo.
Por deixar que me levasses de novo para a cama. E me despisses. E me beijasses, e me fodesses outra vez.

(continua...)

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

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A calmaria do dia lá fora contrastava com a explosão dos nosso corpos, exaustos.
O céu muito azul, a brisa que entrava pela janela, o cheiro a rio. O sol muito brilhante por cima de tudo.
Ficamos deitados sobre o branco dos lençóis revoltos.
Ofegantes.
Os corpos húmidos, regados pelo suor.
Quis tocar-te mas tive medo que o simples toque tornasse tudo mais real.
Sempre tive esta mania de tocar nas coisas, senti-las com os dedos.
Aquilo tudo devia assemelhar-se a um pesadelo, mas não o era. Porquê?
Sentir o teu sabor ainda nos lábios devia provocar-me repulsa, sentir o teu corpo tremer ao lado do meu devia ser motivo mais do que suficiente para me fazer sair dali. Mas continuava estática sobre a cama.
A verdade é que me apeteces-te demais.
E eu também te apeteci.
Faria tudo de novo. Até á exaustão.
Uma letargia súbita invadiu-me, e adormeci ao teu lado! Nua. Completamente desprotegida de tudo.
Não me incomodei.
Uma vigília agitada. Meio acordada, meio a dormir. Por algum motivo, alguma coisa me impedia de abrir os olhos apesar de estar meio desperta.
Acordaste-me, quiseste mais, mais um vez.
Fizeste-me virar de barriga para cima.
Percorreste me os seios tumidos.
O teu olhar transparecia um certo desvelo, que eu não compreendi. Não era suposto olhares-me daquela forma.
Continuas-te a percorrer-me a barriga. As pernas. Beijaste-me os pés.
Os joelhos.
As mãos.
Os ombros.
O pescoço.
A boca.
E voltei a sentir o teu sabor nos lábios. O teu beijo tinha tanto de incomum.
Entrelaçaste os teus dedos nos meus e de repetente vi-te um sorriso.
Deitaste-te e puxaste-me para cima de ti.
Fizeste-me sentar sobre o teu ventre ao mesmo tempo que me colocavas as mãos nas ancas.
De repente fazer amor, muito terna e gentilmente, depois daquela explosão furiosa toda..era tão ridículo tudo aquilo que chegava a ser um absurdo.
Mas continuamos.

(continua...)

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A cama gélida depressa nos queimou os corpos, incendiados.
Obrigaste-me a olhar para ti, nos olhos. Algo que eu não queria, que não podia fazer.
Mas ainda assim tive que o suportar.
Continuávamos a saber que aquilo era muito errado, mas não nos impediu de continuar.
O sabermos alguém à nossa espera devia ter sido suficiente. Mas não.
E continuamos naquele delírio.
Os corpos envoltos pelos lençóis, um pelo outro...Aquele querer, tão intenso e magnético.
E repetimos tudo, uma e outro vez, e outra ainda, com a mesma intensidade. Com o mesmo desvario.
Até mesmo a exaustão não foi suficiente para nos separar. E senti-te penetrar bem fundo, latejar de novo, senti o corpo percorrido por ondas, os gemidos que se misturaram com os teus.
As suplicas por mais um pouco.
Só mais um pouco daquilo.
Às tantas apeteceu-me bater-te, perguntar-te o que julgavas que estavas a fazer, como podias ter sido tão peremptório ao afirmar que não o irias fazer, e no fim fizeste, e tão bem.
Quis rejeitar-te mas não fui capaz. Queria ter sido, por mim e por ti. Mas não fui capaz.
Teria sido mais fácil não te provar. Teria sido imensamente mais fácil não te ter seguido em primeiro lugar. Mas o querer levou a melhor e era tão tarde.
Deixei...

(Continua...)

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

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É evidente que também me queres...é algo tão proibido. Mas ao mesmo tempo tão carnal, tão delirante.
O simples tocar é quase um crime. Mas tão delicioso.
O teu cheiro...
É impossível resistir! Mas ainda assim afastamo-nos, lentamente, muito lentamente, para que nenhum dos nossos movimentos nos vire do avesso e nos traga até á estaca zero.
O quarto ainda tem o cheiro dos nossos corpos, ainda esta inundado pelo calor do que acabamos de fazer. Sente-se uma energia electrizante, um magnetismo que nos puxa de novo um para o outro...é torturante e quase impossível afastarmo-nos.
Revejo mentalmente os minutos que antecederam tudo isto.
Loucamente decidimos fugir, lembro-me de caminhar ao teu lado, lembro-me de não conhecer aquele sítio, nem aquela casa. Mas entrei.
Lembro-me do quarto desalinhado, da cama por fazer, mas lembro-me mais ainda de quando me encostas-te á porta do quarto.
Lembro-me dos nosso beijos, do frenesim das nossas línguas.
Lembro-me das nossas mãos, do percorrer de ambos os corpos.
De sentir a tua mão percorrer as minhas coxas. De me despires as cuecas, e de me penetrares com uma violência agonizante.
A nossa urgência era muita.
Não sei se por sabermos que o não devíamos fazer, se por o desejo ser demasiado forte...
Virei-me de costas, não para te sentir de outra forma mas por ja não te conseguir olhar nos olhos. Os teus olhos queimam sabes?
Senti-me, senti-nos latejar com uma intensidade impar. A adrenalina desempenhou bem o seu papel.
Mas eu quis mais.
Tu também.

(Continua...)



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Apeteces-me...sabes?
O que é uma coisa que me perturba, até porque nunca tive grande queda por homens mais novos.

(continua...)

domingo, 3 de fevereiro de 2013

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Oh como adoro o entardecer, sei que estou farta de o repetir, mas os tons alaranjados das nuvens que se misturam com o azul muito pálido do céu embriagam-me a alma e deixa-me assim...numa letargia sem fim.
Só nos imagino nos sofá, a ver o entardecer lá fora, os nossos corpos enrolados, as gotas de suor q rolam pelas tuas costas abaixo, e que eu sinto na palma das mãos enquanto te percorro.
O teu penetrar, terno, muito gentil, que chega a ser enervante, torturante. Os meus gemidos quebrados pelo barulho dos carros lá fora, que mal ouvimos mas que chega a ser ensurdecedor.
Aquela paixão toda, e tão descontrolada mistura-se com a calidez do fim de tarde, e apercebo-me , já tarde, muito tarde, demasiadamente tarde, que te quero mesmo ali. E isso deixa-me de rastos assim que o clímax nos invade, e percebo que dentro de minutos vais partir.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

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Sabia que ia pagar por te ter desafiado daquela forma. Assim que tivesses uma oportunidade.
Só o facto de o saber provocava-me tremores pelo corpo inteiro. O comportamento submisso que me era exigido, simplesmente não se entranhava em mim. O prazer do desafio aliado à adrenalina e à expectativa da dor eminente toldavam-me a mente e levavam-me a agir irracionalmente 99,9% do tempo.
Aquele foi um desses casos. Se agisse racionalmente teria escolhido uma roupa discreta. Se agisse racionalmente teria bebido apenas uma agua. Se agisse racionalmente não me teria insinuado a nenhum dos homens que se cruzou comigo esta noite. Porém, e ao contrario do que esperavas de mim, não agi racionalmente.
Sim, quis provocar. Deixar-te à beira de um ataque de fúria. É que a tua fúria tornou-se na minha forma de prazer mais extrema.
Fizeste-me sinal para te acompanhar até à saída. Os teus olhos negros de raiva permitiram-me perceber exactamente quão punida eu seria esta noite. As palavras de segurança começaram a surgir na minha cabeça como sinais de aviso.
Que eu ignorei, claro.
Queria tanto aquilo.
Entramos no carro, completamente em silencio. Eu de cabeça baixa. Não valia a pena desafiar-te mais ainda.
- Espero que tenhas noção que o teu comportamento esta noite foi vergonhoso. Uma puta de rua teria conseguido comportar-se com mais decência do que tu. - disseste num tom rouco, demasiado calmo. - Não admito que nenhuma mulher minha se comporte da forma que te comportas-te. Querias que todos os homens naquela maldita sala te comessem? Era? Responde quando te faço uma pergunta.
- Não mestre. - o meu tom vacilante transpareceu o nervosismo que se aflorava em mim. Bolas, devia ter-me conseguido controlar. Não adiantava de nada deixar-te tão furioso. Um bocadinho tarde para arrependimentos, não?
Uma das tuas mãos desprendeu-se do volante e agarrou no meu cabelo, o que me fez erguer a cabeça e encarar a estrada.
- Esta noite vais pagar muito caro, muito caro mesmo pelo que acabaste de fazer. Sabes disso não sabes?
- Sim, mestre.

Assim que entramos no quarto, e tal como exigias que fizesse, despi-me. Atei o cabelo numa trança. Ajoelhe-me no chão e de cabeça baixa esperei pacientemente por uma ordem.
Senti o chão do quarto vibrar a cada passada tua, não conseguia ver o que fazias.
- Apetecia-me trancar-te em casa para sempre. Assim tinha a certeza que mais nenhum homem nesta terra te poria os olhos em cima ou te desejaria. - ajoelhaste-te à minha frente e levantaste-me o queixo de modo a que te olhasse nos olhos - Quero que sejas só minha. Percebes isso? - as pupilas ainda dilatadas.
- Sim mestre.
- Merecias que te amarrasse e te deixa-se assim a noite inteira. MAs infelizmente não temos tempo para isso. Portanto vou limitar-me a sentar-te no meu colo e bater-te até não sentir a mão. Quero que contes. Depois vou foder-te e não te vou deixar vir. Compreendes?
- Sim mestre.
Desapertas-te a gravata. Amaraste-me as mãos atrás das costas. Fizeste-me levantar e depois de te sentares à beira da cama, deitaste-me sobre os teus joelhos.
Acariciaste-me pacientemente as nádegas, uma de cada vez. Senti dois dos teus dedos escorregarem dentro de mim. Tiraste-os e levaste-os à boca, o que me fez corar violentamente.
- O teu sabor é tão inebriante... - desferiste o primeiro golpe sem eu esperar.
Percorreu-me o corpo inteiro como uma onda.
- Conta - -Gritaste.
- Um!
- Dois!
- Três!
...
- Trinta e um! Mestre por favor, não aguento mais. - a minha voz não passava de um sussurro toldada pelas lágrimas que me escorriam pela face.
Aquilo só te enfureceu mais. Os golpes seguintes foram ainda mais violentos do que os trinta e um anteriores. Mas eu já não conseguia sentir. Não conseguia sentir nada, mas as lágrimas continuavam a correr. E tu, de tão cego pelo ódio, não conseguiste ver.
Ao centésimo primeiro paraste finalmente. Eu sabia que aquilo ainda não tinha acabado, mas não tinha força para mais. Tinhas exagerado desta vez.
Fizeste-me erguer, mas assim que me largaste deixei-me cair no chão. Exausta pela dor.
Os meus sentidos meio adormecidos não me deixaram ver-te a cara, mas percebi o teu pânico assim que me ergueste no colo. O teu corpo tremia.
Deitaste-me na cama. e desapareces-te
Minutos depois estavas de volta. Colocas-te na mesinha de cabeceira um benuron e um copo de agua. Afastaste-me o cabelo da cara e beijaste-me a testa.
- Toma isto.
Fiz o que me mandas-te. Assim que voltei a deitar-me, senti que me aplicavas algo frio nas nádegas. Um creme.
- Shiuuuuuuuu. Já vai passar. Mas porque raio não usaste as palavras de segurança?
Encolhi-te os ombros.
- Estou pronta se quiseres acabar o que começas-te.
Não contava ver-te um ar de surpresa quando me voltei para ti.
- Não. Acho que ambos concordamos, que esta noite me excedi. Descansa.
Deitaste-te ao meu lado. O toque do teu corpo fez o meu latejar de dor. Mas mesmo assim sabia bem o teu calor.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

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Subimos no elevador. Um dos momentos mais constrangedores da noite.
Juntos naquele espaço ínfimo. Procuraste-me a mão e apertaste-a na tua, quente.
O meu coração vibrou ao teu toque, a respiração tornou-se mais difícil.
Chegamos.
Saímos para o patamar. De costas para ti tentei abrir a porta, enquanto encostavas o teu corpo ao meu, e me beijavas o pescoço.
- Assim não vou conseguir abrir a porta. - Disse-te sem ar.
Ainda atrás de mim, com o teu corpo colado ao meu, percorreste-me os braços até ás mãos e ajudaste-me a rodar a chave.
Nos meu ouvidos o barulho descompassado do coração a bombear sangue para tudo quanto é lado.
Meus deus, achei que ia falecer mesmo ali.
O raio da porta que não abria.
- Não vou conseguir aguentar mais. - sussurraste-me ao ouvido. Mas o meu cérebro não processou.
Largamos a chave.
Virados um para o outro beijamo-nos, louca mas deliciosamente.
Que beijo.
Tremíamos ambos.
Encostaste-me á porta com força. Pressionaste o teu corpo contra o meu.
E senti-te duro contra a minha perna.
Nos olhos um desejo, louco, doentio.
Aquela sede de paixão deixou-me completamente sem chão.
Percorreste-me o corpo com as mãos. E naquele momento soube que não ia aguentar mais precisava de ti.
- Por favor. - Supliquei-te.
- Psiuuuuuuu! Tem calma.
Que tortura.
Beijamo-nos uma e outra vez. Subiste-me o vestido, e desapertei-te as calças.
Sentir-te dentro de mim, depois de ter querido tanto, durante tanto tempo foi…penetraste-me uma e outra vez. Ali, os dois, encostados à porta de minha casa. Num escuro tenebroso, mas ao mesmo tempo reconfortante.
O climax invadiu os nosso corpos, o libertar de toda aquela tensão deixou-nos exaustos. Meio pedidos e ainda assim sabíamos perfeitamente onde queríamos estar.




(I. eu sei que já tinhas saudades de um destes)

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

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III


Entrou em casa e fechou a porta atrás de si:
- Oh deus onde é que me fui meter? O que é que fui fazer? – Levou as mãos à cabeça enquanto se deixava escorregar até ficar sentada no chão.
O telemóvel toca, é uma sms dele:
“preciso de ti”
Eu também preciso, mas não significa que te possa ter, pensou ela. Decidiu ignorar a sms. Despiu-se e enfiou-se na banheira. A água quente iria com certeza ajudá-la a acalmar. Fechou os olhos e analisou calmamente o que se tinha passado nas últimas horas.
Felizmente tinha o fim-de-semana para se recompor e decidir qual a melhor postura a adotar na segunda-feira.
Novo toque do telemóvel, novo sms:
“Vais ignorar-me?”
Vou, se conseguir…pensou mais uma vez. Atirou o telemóvel para longe e mergulhou mais uma vez nos seus pensamentos.
O que é que queria verdadeiramente? Continuar com aquela tortura diária, querer muito tê-lo mas fugir permanentemente a isso mesmo. Ou por outro lado iria conseguir passar por cima do medo de se envolver com o próprio chefe e entregar-se à paixão.
Sentia o corpo latejar, estivera tão perto de ter aquele homem nos braços, e acobardara-se no último instante. Que estupida, pensou.
O telemóvel voltou a tocar. Saiu do banho para poder ler o sms:
“Não vou desistir…”
Isso era algo que ela sabia de antemão. Quis responder-lhe, dizer-lhe que era uma parva e que o queria na sua cama, que queria que ele a possui-se, a fizesse explodir de êxtase, mas não foi capaz. Era demasiado cobarde. Apesar disso sabia que mais tarde ou mais cedo acabaria por se entregar, era apenas uma questão de tempo.
“ Deixa-me ir ter contigo amanhã. Podemos conversar sobre o que se passou.”
Conversar? Não era definitivamente isso que lhe apetecia mas ainda assim acedeu.
“ Ok. Eu passo em tua casa então.”
Ia ser uma longa noite…
E de facto foi, mal conseguiu pregar olho, às sete da manhã desistiu de estar na cama. Levantou-se, tomou o pequeno-almoço, e vestiu-se. Sentou-se no sofá, em frente à televisão e esperou pacientemente.
O toque da campainha assustou-a, sentiu de imediato o coração bater a mil. Teve que fazer um certo esforço para se obrigar a levantar do sofá e ir abrir a porta.
Os momentos que se seguiram foram de pânico absoluto, apeteceu-lhe fugir dali, mas não tinha como fazê-lo, portanto decidiu por uma vez na vida ser uma mulherzinha, ganhar coragem e enfrentar aquilo tudo.
O elevador parou e lá de dentro saiu ele. Lindo e maravilhoso, como sempre. Era impressionante como a visão dele e do seu corpo a acalmaram de imediato. Naquele momento teve noção de que efectivamente não iria conseguir resistir se ele lhe voltasse a tocar com um dedo que fosse.
- Olá – disse-lhe ele a sorrir. Ela deixou-o entrar e guiou-o até à sala, sem dizer uma palavra. Indicou-lhe o sofá e serviu a ambos um copo de whisky. Ainda não era meio-dia mas que se lixe, pensou. Estava a precisar de se auto anestesiar antes que fizesse algum dispara-te.
Sentou-se por fim ao lado dele, e fez menção de ouvir o que ele tinha para dizer. Mas não o ouviu dizer nada. Ele limitou-se a colocar o copo em cima da mesa de apoio, fez o mesmo com o copo que ela tinha na mão. Reduziu a distância entre eles a escassos milímetros, e beijou-a violentamente.
Quando acabou estavam ambos sem folgo:
- Desculpa eu sei que vim aqui para conversar, mas simplesmente não consigo resistir.  – e quando acabou a frase voltou a beijá-la.
- Preciso de te ter tão desesperadamente – sussurrou-lhe ele entre beijos.
Beijou-lhe a boca, o pescoço, tomou-lhe os seios nas mãos. Sentiu as mãos dela percorreram-lhe as costas. Sabia que ela também o desejava, mas mesmo assim quis certificar-se que podia continuar:
- Queres parar? Porque se queres vais ter que me dizer agora, ou vai ser tarde de mais.
Ela não lhe respondeu. Viu-lhe o rosto transformado pelo desejo e as íris dilatadas. Voltou a beijá-la fervorosamente. Estava à beira da loucura e a urgência do desejo toldava-lhe todos os sentidos.
- Maria. – Gemeu, num pedido de resposta.
- Não pares por favor. Não pares.
Só teve tempo de lhe despir os calções a ela e abrir o fecho das calças dele. Penetrou-a então violentamente ali mesmo no sofá. Os corpos embriagados pelo desejo e suados movimentaram-se até por fim atingirem um clímax explosivo e inebriante.
Ele deixou-se ficar então enterrado nela, sem praticamente se poder mexer, enquanto a sentia acariciar-lhe os cabelos. Ele sabia que aquilo momento ia mudar tudo, agora que se tinham permitido perder-se um no outro.
As mudanças acarretavam porém um enorme risco para ambos.

domingo, 25 de novembro de 2012

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II


O tempo foi correndo, as pessoas foram-se ambientando aquela nova situação, o próprio chefe já se tornara mais brando, ao perceber que podia confiar na equipa. Ela já não se sentia tão intimidada como inicialmente e agora, em determinadas situações chegava a assumir uma posição de desafio.
A relação entre ambos, mesmo assim, era muito tensa. Ela já tinha notado que ele não reagia da mesma forma à sua presença. Sentia uma espécie de tensão sempre que se aproximava.
As discussões entre ambos eram agora uma constante, o motivo era sempre ou quase sempre trabalho. Se pudesse deixava simplesmente de falar com ele, mas não podia o trabalho obrigava-a.
Tinha de confessar porem que as discussões lhe davam um certo prazer. Não sabia explicar, mas por um lado gostava, talvez até demais de discutir com ele.
Ele também gostava das discussões, a raiva transformava-a numa mulher super atraente, o facto de a ver defender os seus pontos de vista tão fervorosamente fazia com que a desejasse ainda mais.
Muitas vezes, depois de cada discussão, apeteceu-lhe possui-la ali mesmo, fazê-la gritar de prazer, para toda a gente ouvir, mas continha-se. Não ousava sequer levantar-se da cadeira com medo que alguém percebesse o estado em que ela o deixava.
Esta situação tornava-se a cada dia mais incomportável, e o medo de deixar transparecer para o resto dos colegas, isso mesmo, perseguia-os. Mas, a verdade é que não havia grande coisa a fazer, ele tentara transferir-se primeiro para um outro edifício, depois para um outro piso, mas sempre sem sucesso.Ela tentava desesperadamente encontrar um outro emprego, mas o mercado estava impossível, e acabaram ambos por se resignar.
Era o final de mais uma semana de trabalho e como tantas outras vezes, eram os únicos que ainda não tinham regressado a casa:
- Estou?
- Segunda-feira às 18 horas?
- Compreendo.
- Lá estarei.
E de repente uma mudança, era a oportunidade pela qual tinha esperado este tempo todo, uma entrevista. E agora? O que fazer? Seria capaz de lhe contar a verdade, a ele? Era mesmo aquilo que ela queria? Ir embora? Deixar de o ver? Não podia negar que gostava muito, daquilo…
Dirigiu-se ao gabinete dele:
- Sim Maria entra.
- Dr. Gonçalo, precisava de falar consigo.
- Quando é que vais passar a tratar-me por tu? E sem o Dr. já agora.
Ignorando-o prosseguiu: - Segunda-feira vou ter uma entrevista portanto…
- Uma entrevista pra que? – Interrompeu-a ele.
- Para um emprego ora…para que havia de ser?
- Um emprego Maria, um emprego? Deves estar a brincar comigo.
- Dr. Gonçalo eu…
- Queres ver-te livre de mim, sim já percebi. Não me suportas, nem nunca suportas-te. Eu sei. Podes dizê-lo.
- É precisamente por quere-lo demais que me quero ir embora – ohhhhhhh que merda, pensou, tinha disto mesmo aquilo? Só havia uma solução, envergonhada, virou-se e saiu do gabinete.
Ele levantou-se de imediato e seguiu-a:
- Dra. Maria Fernades, volte imediatamente aqui.
Aquela voz de comando fê-la voltar ao gabinete.
- Sente-se. – Ordenou.
Mas que raio, parecia não ter vontade própria, decidiu então tomar uma posição de desafio e permaneceu de pé.
Ao ver que ela não lhe obedecia, ele chegou-se mais e com uma expressão dura disse-lhe:
- É bom que se sente ou eu próprio a vou colocar sobre o meu colo e garanto-lhe que quando acabar não vai voltar a poder sentar-se durante pelo menos uma semana.
Dito isto virou-lhe as costas e sentou-se, pelo canto do olho viu que ela fazia o mesmo.
- Explique-me e muito bem explicadinho o que acabou de dizer. E apenas aceito a verdade minha cara.
Não podia deixar de reparar com ele a tinha começado a tratar por Dra. …E por você…parecia zangado, e queria a verdade…Mas a verdade era muito complexa. Como é que se ia safar daquilo? Era tarde demais, ia ter que contar tudo.
- Dr. Gonçalo, a verdade é que há qualquer coisa no ar quando…
- Sim, sim eu também sinto isso. Mas vá direta ao assunto. Diga-o com todas as letras. Quero ouvi-la dizer.
- Não posso negar que me sinto extremamente atraída por si e não estou a conseguir aguentar mais esta situação.
- E acha que fugir é a solução?
- Eu não consigo mais, juro que não consigo…estou em casa só quero estar aqui, estou aqui só quero ir a correr para casa. O que é que eu faço? Diga-me por favor.
- Bom, em primeiro lugar vai desistir dessa entrevista. E em segundo lugar vamos sair os dois daqui, e já. – vestiu o casaco, dirigiu-se a ela, pegou-lhe no braço e arrastou-a consigo até á secretária dela. Agarrou-lhe na mala e fê-la vestir igualmente o casaco. Enfiou-a num elevador para desceram até à garagem, abriu-lhe a porta do carro, prendeu-lhe o cinto de segurança, ele sentou-se no lugar do condutor e seguiram para a sua casa.
Conseguia sentir o nervosismo dela, não só pelo facto de lhe ter revelado, a ele, mais do que queria, mas também por antever o que estava prestes a acontecer.
Ele próprio que estava mais do que decidido a acabar com aquela tortura tinha agora algumas duvidas em relação aquilo!
- Por favor, pare o carro.
- Mas Maria…
- Pare! – gritou.
Ele obedeceu-lhe. Assim que parou, viu-a abrir a porta e sair. Esperou vê-la correr dali para fora como o diabo da cruz, mas não ficou parada, como que em choque. Ele saiu calmamente do carro e foi pôr-se à frente dela.
- Não temos que fazer nada que não queiras.
- Eu sei. – disse ela num sussurro.
- Então o que se passa?
- Nada…é só que isto é uma tremenda de uma confusão. Eu quero-o muito, a serio que quero. Mas como é que vai ser na segunda-feira? Como é que vamos conseguir encarar-nos depois de termos dormido juntos?
Ele sorriu, chegou-se mais a ela, passou-lhe uma mão pelos cabelos e outra pela cintura e chegou-a a ele. Beijou-a suave e delicadamente na boca.
- Anda, vou levar-te a casa.

Continua amanhã (ou um dia destes)...

sábado, 24 de novembro de 2012

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I


Odiava-o! Oh deus, como o odiava! Como era possível odiar tanto o chefe? Não via a hora de ir embora daquele lugar, mas por outro lado não queria colocar a sua carreira em risco.
Nem sempre fora assim, só há relativamente pouco tempo é que ele se tornara seu chefe. Até então era apenas mais um rosto entre tantos outros a circular nos mesmos corredores. A chefe dela tinha sido colocada num outro departamento e ele assumiu o comando da equipa.
Entrou a matar, como se costuma dizer, despediu pessoas, impôs regras escrupulosos e aumentou o nível de exigência para o impossivelmente absurdo. Não era isso porém que a incomodava, achou os despedimentos justos, as regras e a exigência necessárias. A exigência sobretudo, aumentava-lhe a vontade de se empenhar a fundo.
Era ele quem ela não suportava.
A arrogância dele deixava-a fora de si, a maneira agressiva de falar intimidava-a, os gestos embrutalhados deixavam-na nervosa. Era simplesmente um tormento. Pensar apenas que tinha de falar com ele deixava-a à beira de um colapso nervoso. Infelizmente precisava de discutir vários assuntos diariamente com ele.
Ele era mais velho, certamente estaria perto dos 40, enquanto ela ainda estava na casa dos 20. Ele aproveitava-se disso mesmo para a provocar, dizia-lhe muitas vezes que a idade dela era proporcional ao nível de competência, extremamente reduzida, apesar de saber que isso não era verdade. Ele divertia-se simplesmente a vê-la fazer gato-sapato para lhe provar que estava errado.
Claro que estava, sabia-o perfeitamente, mas sentia um prazer imenso em arrelia-la, sabia que não devia faze-lo mas era mais forte que ele.
A primeira vez que a vira achara-a insipida, sem interesse absolutamente nenhum, mole, aparvalhada até. Demorou muito pouco a perceber que estava redondamente enganado. Além de ser extremamente competente era muito independente, bem formada talvez lhe faltasse alguma confiança mas ainda assim era muito batalhadora e proactiva.
Ela tornara-se um mistério, apesar de ter aprendido a conhece-la como a palma da sua mão a nível profissional, tanto que podia prever uma pergunta antes mesmo de ela lha colocar, o mesmo não acontecia ao nível pessoal.
Não lhe conhecia namorado ou amante, estava sempre super bem-disposta e divertida, mas ainda assim não lhe conhecia nenhum amigo mais chegado. Sabia que raramente saia de casa e que preferia manter-se à margem das outras pessoas, custava-lhe assim, sobremaneira compreender o comportamento anti-social dela.
Tinha a certeza que ela o odiava, quem não o odiava ali dentro? Mas ele não conseguia evitar sentir uma certa atração por ela. Sabia-o antiético e muito pouco profissional, mas chegava mesmo a fantasiar com ela.
Certa vez, tinha ficado a trabalhar até muito tarde, o cansaço toldara-o de tal maneira que adormeceu.
Quando percebeu ela estava a bater-lhe à porta do escritório. Ele recompôs-se e mandou-a entrar. Estava deliciosa num vestido fluido, comprido, ligeiramente transparente nas áreas certas e com um decote generosamente pronunciado.
Ela sentou-se na cadeira em frente à dele e começou a falar. A atenção dele porem estava no decote e nos mamilos, cuja transparência do vestido, deixava antever. Aquilo tudo provocou-lhe uma enorme erecção.
Ela tinha percebido que os olhos dele não saiam do mesmo sítio, ele nem se tinha dado ao trabalho de disfarçar, apostava também que não tinha ouvido uma palavra do que lhe dissera. Apeteceu-lhe provoca-lo só para ter o prazer de o rejeitar.
- Por favor, sai do escritório imediatamente, ou não respondo por mim. Será que não percebes que me deixas louco? – Gritou-lhe ele.
Ela ficou paralisada perante a súbita reacção. Não sabia o que dizer, naquele momento sentiu apenas o desejo dele a aflorar-lhe a pele.
A sala estava impregnada por aquela energia, de tal maneira que ela se deixou levar. Levantou-se, viu-o levantar-se também. Ele ficou no mesmo sítio enquanto ela caminhava até ele. Aproximou-se até ficaram muito perto. Conseguiam sentir o odor que a pele de cada um emanava, era o cheiro do desejo a sair de ambos os corpos. Um cheiro doce, intenso.
Uma força estranha puxou ainda mais um corpo contra o outro e beijaram-se louca e intensamente. Ela podia agora sentir o membro dele, duro, contra a sua perna.
O desejo era de tal maneira selvático que não tiveram tempo para mais nada… ele sentou-a na secretária, puxou-lhe o vestido, afastou-lhe as penas e penetrou-a violentamente.
Ouviu-a gritar e estremecer de prazer. Encorajado por esse grito, entrou e saiu dela num vai-vem frenético e desenfreado ate sentir o seu sémen jorrado no interior dela.
Acordou meio abespinhado.
Estava no escritório à uma da manha, e para melhorar tinha sonhado, um sonho bastante, indecente e ao mesmo tempo delicioso…com uma das suas colaboradoras, tudo o que sempre tinha tentado evitar.
Sempre teve as mulheres que quis. Podia até, por diversas vezes ter experimentado os prazeres de uma relação fortuita no trabalho, mas sempre preferiu manter-se à distância disso mesmo. Com ela era diferente. Não conseguia perceber porque, mas simplesmente era-lhe impossível manter-se a ele e à sua mente afastados dela.
Queria desesperadamente tê-la mas era com o mesmo desespero que evitava pensar nisso.

continua amanhã...
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